Museu da Lourinhã recebe amanhã conversa sobre expedições, ciência e descoberta de fósseis no sul da Mongólia
O Museu da Lourinhã recebe este sábado, às 17h00, a palestra “Hunting the Hunters – Mongólia”. O convidado e orador é o professor Federico Fanti, geólogo e paleontólogo, docente na Universidade de Bolonha, National Geographic Explorer e investigador com mais de 20 anos de experiência em expedições internacionais.
A palestra, segundo a organização, será uma conversa na primeira pessoa sobre expedições, ciência e descoberta de fósseis, através das experiências vividas pelo professor convidado no deserto de Gobi, no sul da Mongólia.
A RCL conversou com o professor Federico Fanti, que deixou claro: mais do que uma palestra, este encontro é uma troca de ideias destinada à partilha da paixão por fósseis.
Tradução:
“É uma conversa para despertar a curiosidade de quem ouvir, para os dinossauros e para a exploração. Achei que a Mongólia e o deserto de Gobi podiam ser um tópico interessante para uma audiência entre os 0 e os 99 anos. Não vai ser uma palestra científica, vai ser uma tarde em que vamos poder usar as histórias do deserto de Gobi e partilhar a paixão que temos por dinossauros. E gostaria de apresentar à audiência que o que estamos aqui a fazer hoje em Portugal tem um contexto semelhante ao que, acreditem ou não, aconteceu na Mongólia no último século. Portanto, este evento vai servir para contar histórias sobre uma viagem de campo à Mongólia.”
A conversa vai abordar também o tráfico ilegal de fósseis e a importância de proteger o património paleontológico enquanto legado científico e cultural.
Tradução:
“Na Mongólia é um grande problema. Estamos a falar de milhões de dólares por ano. O que vou mostrar nesta conversa são os sítios onde foram roubados os fósseis e todo o trabalho que temos feito para travar o que tem vindo a acontecer lá durante muitos anos.”
O professor Federico Fanti explicou ainda qual a melhor forma de combater o tráfico ilegal de fósseis.
Tradução:
“A melhor prática é partilhar histórias sobre o que está a acontecer. A maioria das pessoas simplesmente não se apercebe de que existe um problema relacionado com os fósseis. Por isso, um grande passo é consciencializar as pessoas de que os fósseis têm muitas histórias por trás. Não existe apenas o fóssil exposto no museu, mas toda a história por trás dos bastidores. E quanto mais as pessoas souberem sobre as localidades, sobre as pessoas que trabalham na área científica e no museu, quanto mais informação fornecermos às pessoas, mais poderemos contar com elas. O que significa que elas também podem estar informadas e ativas na partilha da mensagem e em saber o que está a acontecer. A grande questão é que a maioria das pessoas simplesmente ignora que não se trata apenas de ciência quando se fala de dinossauros. Há muito mais.”
O paleontólogo revelou ainda à RCL que classifica como uma “obra-prima” o trabalho desenvolvido no concelho relativo à investigação, preservação e divulgação do património histórico local.
Tradução:
“Numa palavra, é uma obra-prima. É excelente. E a razão pela qual digo isto é que sou novato aqui. Só fui acolhido aqui nos últimos meses. Por isso, estou mesmo no início da história. É a segunda vez que venho. A primeira vez que vim para cá foi mesmo antes das grandes tempestades de janeiro. E na quarta-feira, na verdade, comecei com a equipa os primeiros trabalhos de campo aqui, sob a supervisão do pessoal do museu local. E, tanto quanto posso dizer, é um exemplo de boas práticas. Ou seja, combinar a comunicação científica, informar as pessoas, manter boas relações com a comunidade e com as autoridades locais, mas também uma ciência sólida e irrefutável, o que é sempre essencial quando se faz este trabalho. E acho que aqui encontrei um equilíbrio incrível, mais uma vez, entre todos os diferentes aspetos relacionados com fósseis, não apenas dinossauros. É uma excelente forma de abordar todas as diferentes realidades, mais uma vez, por trás dos bastidores.”
A sessão realiza-se às 17h00, no Centro Cultural Doutor Afonso Rodrigues Pereira, na Lourinhã. A inscrição é obrigatória e tem o custo de 8 euros, que reverte integralmente para o trabalho de investigação do Museu da Lourinhã. A inscrição pode ser feita através do formulário disponível nas redes sociais do Museu da Lourinhã.
Fotografia: GEAL – Museu da Lourinhã